quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Gilsinho, Gildete e os dois otários. - Crônica de Alexandre Mignoni

Gilsinho Peixe Agulha (já - já explico), como ele mesmo se apresenta, é um camarada engraçado.  Nem nunca perguntei o porquê do apelido, nem precisava.  Conheci o caboco num curso que fizemos,  e nos tornamos amigos. Temos saído juntos pela noite paulistana faz um tempo, e estamos invictos.  Eu to desanimando, mas o Peixe parece cada dia mais motivado e com uma auto-estima indestrutível.

O sujeito tem as canelas curtas, mas a coxas grossas (ui!).  Daí ele vai subindo gordo até o pescoço, que é fino e comprido. Mais ou menos um metro de pescoço. Sério. Acrescente uma cabeça muito pequena.  A menor cabeça do mundo.  Ele, inclusive,  não encontra um fone de ouvido que se encaixe. Fica tudo folgado. Então, o conjunto não é lá muito harmonioso.  Tanto que se não fosse peixe agulha, o apelido dele poderia ser tranqüilamente salsichão no palito ou mesmo bombom serenata. 
 
Malaco, o cabra conhece todas as bocas e atalhos da noite paulistana. Porteiros, seguranças, garçons, motô de taxi (muito importante), promoters e até vendedor de flor (com esses ele tem até conta corrente). Freqüenta a noite com a desenvoltura e de um adolescente e a saliência ansiosa de uma virgem.  Guerreiro, nunca desiste antes da cinco da manhã.  Lá pelas três ele vai ficando bêbado e começa a falar um espanhol estranho, como se estivesse uma raquete de tênis na boca.  E tome “cevejita”, “uiskito” e “muchachas”.  Nesse estágio ele compra flores e aborda qualquer uma, independe da circunferência, altura, dos trajes ou da idade. Tanto que por mais de uma vez tive que interromper eloqüentes diálogos, com direito a mãozinha na cintura, com uma a tiazinha que vigia carro.  Quando a gente paga para entrar então, o sujeito não admite sair sem uma recompensa.
 
Mas ele é solidário na balada (paulista eu?). E isso é extremamente importante na noite.  Numa dessas, quando heroicamente recusei a minha primeira incursão pelo universo feminino da terceira idade (eu ainda acredito) , ele prontamente dispensou a tia da minha amiga, e saímos no zero mais uma vez. Já fomos a todos os tipos de eventos: rave, festival de forró, bingo de caridade, roda de samba, show de rock e até numa (nesse dia eu voltei da porta), seresta. Fiquei esperando o Gilsinho no carro e quando ele chegou sozinho, eu disse: chega velho, num tá dando certo, tamo gastando uma grana preta, e nada até agora.  Vamos mudar a abordagem, tentar outra coisa, inventar umas mentiras, sei lá. . .E ouvi como resposta uma das frases mais otimistas e positivas de todos os tempos: calma, é questão de tempo. E outra coisa, veja pelo lado positivo, brother. Quando eu ia perguntar que lado positivo ele via o peixe agulha mandou a pérola: se ainda não comenos ninguém, pelo menos ninguém comeu a gente. É, ta certo.
 
Sabadão, to em casa estirado no sumiê (lembra, dessa?), me aparece meu camarada trajando um abadá do bloco Tatu Malokêro, meia verde até o meio das canelas, um tênis preto estranho, cerveja Cintra na mão, me botando pilha pra ir no Sampa Folia,  evento que estava no rolando no bairro do Tatuapé, com o patrocinado do energético Ligadão. Foi muito pra mim, declinei.   Meio puto, repetindo a toda hora... vai sacanear, vai sacanear, vai correr do pau?  O Peixe saiu pisando duro, mas foi pro combate. E eu, entre entediado e arrependido, mudei de roupa e saí pra comprar um livro qualquer, numa livraria bem perto casa dele.
 
Nunca vi um lugar com tanta gente na minha vida. Se o livro remete ao silêncio, estava eu no lugar errado. Tinha tanta gente que eu me arrependi de não ter saído com o Peixe no Tatu Maloqueiro. Mas, tudo bem. Achei um canto sossegado, escolhi o livro e fiquei esperando o camarada para finalizar o atendimento. Tava ali, só enfeitando cabo de rodo, quando percebo vindo em minha direção dessas mulheres pras quais é muito difícil encontrar uma definição. Deixa ver... era uma Lolita (tem isso, num tem)? Mas era uma Lolita-Thainá, manja? Thainá é aquele tipo definido na crônica impagável sobre os Los Hermanos: sainha neo-hippie, sandalinha rasteirinha com coração, bolsinha de feira de artesanato assim cruzada, pulseirinhas coloridas e cabelinho lisinho. Linda, linda, maravilhosa.
 
Se aproximou, tocou meu braço com a pontinha dos dedos (que dedos, que pontinhas) e disse: você pode ver o preço pra mim, por favor?  Putz! Eu todo languido e ela tava só me confundindo com o vendedor. Que merda! Apontei aquele fálico e estranho objeto para o código de barras e bicho fez pííí. Pelo borrão que quase vi, percebi que estava sem óculos, mas chutei qualquer valor terminado em noventa e entreguei de volta o livro pra ela. Foi quanto eu li o título: Como Seduzir Homens Mais Velhos. Caralho! Voltei pro jogo, pensou o adulto sub cinqüenta.  
 
Ai, que fora que dei. Desculpa, desculpa! Neste exato momento, bem no pá do desculpa, ele ajeitou o cabelo atrás da orelha, pegou? Perfeita.  Mais puto do que sogrão conhecendo o genro-músico-tatuado, murmurei um tudo bem e me preparei pra bater em retirada. Humilhado, sangrando. Mas, poxa, eu já fui bom nisso.  Posso ser ruim de “entrada”, mas eu desenvolvo bem na conversa. Com o coração aos pulos, decidi arriscar. Num tinha ninguém vendo mesmo: tenho certeza de que você não vai aprender nada como esse livro! Foi boa essa num foi?  Ai, por quê? Ela sempre coloca esse ai antes de todas as frases.  Só a sua presença é o bastante (putz, que cantada foda). Confesso, eu estava nervoso, nervoso e vermelho. Vermelho não, grená. Eu tava grená, que por sinal já foi chamado “maravilha” e atualmente, com tanta cor nova, deve ser deep salmon.
 
Mas deu certo, ela perguntou que livro escolhi e eu mostrei No Logo de Naomi Klein, o que me dava assim um certo ar intelectual de esquerda. Acrescente óculos e cabelos grisalhos e sinta todo o poder da sedução. Como já tinha segurado no kimono e tinha dado um koka, resolvi ir mais além e arrisquei um yuko: você aceitaria tomar um café comigo? Ouvir aquele “claro que sim” me fez sentir melhor do que em quinze de terapia e muitos comprimidos terminados pam. Era tatame na certa. Finalmente.
 
“Papus-amenus” no café (dos 24 aos 48 anos acontece muita coisa), enquanto Thainá, digo, Gildete (caralho, Gildete é foda. E ainda por cima nem é nome de mulher séria), destruía o seu quinto bauruzinho e pedia duas cocadas e uma Pepsi Twist pra viagem, eu ficava pensando em como finalizar a parada. O jogo tava ganho, mas eu não sabia como empurrar a bola pra dentro. Sem duplo sentido. Nem precisei. Ai! Tive uma idéia. Eu moro aqui pertinho. Por que a gente não vai lá em casa assistir um DVD?  Meu Deus é muita bolinha pro meu pijaminha. Paguei a conta e partimos.
 
  No meio do caminho ela fez um pit-stop na sessão de eletrônicos, olhou pra mim com a carinha de anjo-neguinha mais meiga do mundo e disse: Ah! O DVD lá de casa estragou, agora que eu lembrei. Meu amigo, eu tava na cara do gol. Não ia ser um dvdzinho de duzentos conto que ia me impedir de provar daquela delícia.  Né não? Ai! Esqueci de te falar. Eu emprestei todos os meus DVDS para uma amiga. Posso escolher alguns pra gente ver?  Do alto da minha sagacidade comecei a achar estranho, mas, sabe comé que é né. Vai minha filha compra os DVDS.  Eu já tinha feitos as contas, mas o pacote todo tava dando menos que uma noite na balada.  Fui em frente. Até porque, ainda não tinha visto a retaguarda da mocinha, e vê-la caminhado assim por trás, mês fez ter vontade de comprar uma TV de Plasma, um Home Theater e um PS3.  
 
Voltou com um lindo sorriso nos lábios e uma pilha com vários DVD: Psirico ao Vivo na Casa da Mãe Menininha e Gleciane Arruda (será que ela é evangélica?) entre eles. Meu cartão VISA passou mais uma vez e finalmente partimos.  Paradinha rápida na banca para comprar um maço de Free Ultra Mega Turno Light, um cartão de recarga da Vivo, duas mariolas e uma paçoca (tá com verme, só pode), e finalmente chegamos ao local do combate.  Quarto andar, sem elevador. Puta que pariu!  Subi aqueles tantos degraus quase morrendo e ainda fazendo cara de atleta. No meio do caminho ela ainda perguntou se estava cansado, mas eu nem consegui responder, apenas sorri.
 
Olhando bem dentro dos meus olhos, no centro da sala diante da mesa, ela tocou meu rosto com as mãos (que mãos) e sugeriu com malícia: instala o DVD enquanto eu tomo banho. Já volto, prometo (sendo que esta parte ela falou bem baixinho). Aquele cabelo molhado era a coisa mais linda que eu já tinha visto na vida. Aquele roupão da Fricote escrito 100% maravilhosa não fazia nenhuma  justiça ao que eu estava vendo. Ficou assim me olhando da porta do quarto e disse: vem cá! Esqueci por completo meu passado de ateu e pensei: Deus é mais.  Já encontrei o roupão no chão e só me lembro daquela boca (que boca) dizendo assim: deita aqui comigo. Fazer o que, né. Deitei. Entre o deitar e o tempo que ela levou para abrir a gavetinha do criado mudo, pegar camisinha, abrir com a boca, instalar a bicha e simular o orgasmo passaram-se, no máximo, dois segundo. A mulher parecia um Ninja Kung Fu. Tamanha habilidade e rapidez me fizeram pensar que ela exercia esta atividade com alguma freqüência. Mas a dúvida sucumbiu na relação custo-benefício.
 
Pega meu cigarro pra mim amor (amor, que porra é essa). Acendeu, deu no máximo duas tragadinhas, apagou e disse: encosta a porta quando sair tá meu amor (de novo?). Me liga tá meu lindo.  Ligar pra onde sua doida?  Eu ia perguntar se a gente tava namorando, mas nem deu tempo. Gildete caiu no sono. Fiz uma conta rápida e descobri que minha tarde amor literário tinha me custado mais de 300 reais, menos os dez conto que roubei da carteira dela pra pegar o ônibus e voltar pra casa humilhado. Humilhado, mas feliz e com a curiosidade saciada. Minha teoria estava certa. Gildete é filha de pai Gilberto e mãe Bernadete. Eu Sabia.
 
Ainda cometi um ultimo gesto ingênuo antes de ir embora. Deixei um bilhete e o numero do meu telefone. Você ligou? Nem ela. Que ligou foi o Gilsinho e com a uma voz de felicidade ao extremo disse: mermão, se eu te contar o que me aconteceu na livraria aqui perto de casa... você num vai acreditar.
Piranha filha da puta!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Cartumpixaba


ATO PELA RENOVAÇÃO DO SINDICATO DOS COMPOSITORES, CANTORES E INSTRUMENTISTAS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO,


Recebido via Fórum Permanente de Música do ES

Assine AQUI

Aos Músicos Capixabas em Geral:


Há muitos anos a categoria, por meio de diversas ações individuais ou coletivas, seja no judiciário ou mesmo de cunho associativo, vem buscando renovar a diretoria do único sindicato de músicos do estado, sob a gestão de seu único presidente e fundador há mais de quinze anos seguidos, cuja administração é alvo de severas críticas de toda a nossa categoria. Por iniciativa da Associação Capixaba de Músicos Profissionais, acompanhada pela Ordem dos Músicos do Brasil/ES que sempre nos apoiou, finalmente conseguimos motivar o Ministério Público do Trabalho Estadual da 17º Região, sediada em Vitória/ES em dar inicio, por meio do processo nº PP 000476.2009.17.000/6,  para instaurar inquérito civil contra o SINDICATO DOS COMPOSITORES, CANTORES E INSTRUMENTISTAS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, amparada nos artigos 7º e incisos 127 e 129, inciso III da Constituição da república, art.5º, inciso III, alínea “e”, art.6º, inciso VII, alíneas “e” e “d”, e art.84, inciso II da Lei Complementar 75/93, art.8º, §1º, da lei nº7.347/85 e Resolução nº69/207 do Conselho superior do Ministério Público do Trabalho, considerando as apurações de irregularidades denunciadas, quanto às sucessivas e manipuladas eleições na entidade citada, assim como das ações de impropriedade administrativa na cobrança de tributos e da malversação destes recursos auferidos!

Se você tem algo a relatar, a reclamar, provas de abuso de poder, de cobranças indevidas da iniciativa deste sindicato,A HORA DE SE MANIFESTAR É AGORA!
Se a sua opção for a de se omitir, respeitamos o seu direito ! Todavia, depois não nos venham cobrar por soluções que você mesmo não ajudou a encontrar, não manifestando ao menos o seu ponto de vista!

Para tanto, abrimos um site na Internet, com o objetivo único de coletar dados em geral, que estejam de alguma forma direta ou indireta ligados ao assunto em questão, dando-lhes esta tão longa e aguardada oportunidade de renovação da diretoria deste importante Sindicato!


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ato pela aprovação da Pauta da Cultura‏

Recebido via Fórum Nacional da Música


Roberto Frejat, Fernanda Abreu, Sandra de Sá, Dudu Falcão, Sérgio Ricardo e Eduardo Martini cobram prioridade às políticas públicas culturais brasileiras

            Artistas, intelectuais e representantes dos movimentos culturais participam de um ato público amanhã, às 11h, no Hall da Taquigrafia da Câmara dos Deputados. O objetivo é sensibilizar as autoridades políticas e exigir mais atenção para projetos prioritários para o setor.

            Junto com os integrantes da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura no Congresso Nacional, eles pedirão que o governo que agilize o envio a proposta de atualização da Lei de Direitos Autorais (LDA) para a Câmara dos Deputados, além de exigir a votação imediata de três matérias, que estão prontas para a apreciação no plenário da Casa. O grupo também cobrará celeridade na tramitação de um projeto que tramita na Comissão de Finanças e Tributação.

• Projeto de Lei nº 5798/09, que cria o Vale-Cultura; 
• Proposta de Emenda à Constituição nº 324/01, que estabelece aos governos municipais, estaduais e federal um gasto mínimo na área cultural; 
• Proposta de Emenda à Constituição nº 416/05, que cria o Sistema Nacional de Cultura e define as obrigações dos prefeitos, governadores e o presidente da república para o desenvolvimento do setor;
• Projeto de Lei nº 6722/10, que cria o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura) e altera as regras de financiamento de projetos culturais;
• Projeto de Lei nº O quarto projeto, que aguarda votação na Comissão de Finanças e Tributação, é o que cria o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura) e altera as regras de financiamento da área (PL 6722/10).

            Ainda no ato, eles devem pedir ao governo para evitar os sucessivos cortes de recursos orçamentários para a cultura. No início da tarde, artistas e políticos participam de uma audiência com a ministra de Relações Institucionais,  Ideli Salvatti. 

            Para a presidente da Frente Parlamentar, deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) é inaceitável o Brasil continue a obedecer uma lei aprovada em 1998, quando a comunicação digital não respondia pela acessibilidade às artes e as implicações na democratização da cultura. A parlamentar refere-se à Lei de Direitos Autorais, que ela mesma ajudou a elaborar no passado. “Não podemos aceitar que qualquer outra pauta de natureza mais política, por exemplo, venha sucumbir todas as iniciativas do governo focadas na consolidação de avanços fundamentais para a sociedade”, defende.


SERVIÇO:
Ato público e mobilização pela aprovação de projetos culturais

Dia 17 (quarta-feira)
11 horas - Hall da Taquigrafia
Câmara dos Deputados
Ato político com a presença de intelectuais, artistas, representantes dos movimentos culturais e integrantes da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura.

Dia 17 (quarta-feira) 
15 horas - Gabinete da Secretaria de Relações Institucionais
Presidência da República
Gabinete da Ministra Ideli Salvatti